Acervo Onze Janelas – Gravura no Pará

A Gravura no Pará

Abarcando um arco de aproximadamente três décadas, esta mostra proporciona um perfil claro da gravura praticada no estado – sua diversidade e características peculiares de produção – que, com a atual iniciativa de documentar e constituir um acervo consolida sua relevância histórica nos movimentos artísticos da região.

O quadro é bastante heterogêneo: ora marcado por incursões de caráter descontínuo e experimental como estímulo à abertura de novas frentes de pesquisa; ora desloca-se para o campo delimitado da gravura, seus procedimentos usuais e finalidades específicas. No centro da sala, figurando como elemento formativo e impulsionador da gravura no Pará, a obra de Valdir Sarubbi, nosso primeiro artista gravador por excelência. Em torno, a multiplicidade decorrente das inúmeras formas de apropriação dos processos gráficos. Destaca-se, em meio à variedade presente, a firme resolução de Jocatos e Ronaldo Moraes Rego, paradigmas de artistas que, vivendo sempre no Pará, durante mais de vinte e cinco anos vêm se comportando por uma incessante determinação de fazer gravura. É notável o relevante papel desempenhado pelo atelier de gravura da Fundação Curro Velho que, desde 2001, tem sido responsável pela formação de uma nova geração de gravadores, assinalada por uma profunda compreensão da linguagem e dos fundamentos técnicos da gravura – Pablo Mufarrej, Elaine Arruda, Júnior Tutyia, Jean Ribeiro, Daniel Dantas. Assimilações recentes permitem o fluxo das tecnologias digitais– Ruma, Alexandre Sequeira, P.P. Condurú, dentre outros – e geram novas proposições pelos quais a gravura, em suas múltiplas formas e entrelaçamentos, expande o seu campo de interesse. É um painel que cresce e ganha novos contornos com a participação de pólos espalhados pelo estado, como é caso da produção que surge do grupo do Galpão das Artes de Marabá, aqui representado por Antônio Botelho e Marcone.

Ainda é um desafio fazer gravura no Pará: as condições técnicas e materiais são precárias; o mercado é insipiente; não houve a expansão dos ateliês públicos; são poucos os gravadores e raros os que se dedicam ao ensino com responsabilidade. Porém, o horizonte é mais favorável à continuidade desta experiência, que definitivamente se firmará quando o movimento reencontrar o caminho do trabalho colaborativo através de organizações, cooperativas ou projetos independentes de artistas gravadores, como o que ocorreu com a fotografia décadas atrás.

Paulo Herkenhof e Armando Sobral

Belém, 15 de julho de 2008



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