Gráfica Contemporânea

‘As estampas constituem uma das ferramentas mais importantes

e poderosas da vida e do pensamento do homem moderno’ (Irvins Jr).

Uma breve visada histórica ressalta dois momentos distintos do desenvolvimento da arte e da ciência: um período antes e outro depois do aparecimento dos métodos de reprodução de imagens e da invenção dos tipos móveis, isto é, antes e depois do estabelecimento da gráfica no ocidente. Não tardou aos artistas vislumbrarem as potencialidades do novo advento e, prontamente, adotá-lo como meio de trabalho e veículo de propagação de suas idéias. Não devemos nos esquecer que o Renascimento, cujas realizações transformaram a arte e a mentalidade da Europa, foi potencialmente assimilado pela difusão de estampas e impressos; mais do que, propriamente, pelo contato direto com as obras dos mestres italianos, que, na maioria das vezes, ficavam encerradas em castelos, igrejas e monastérios. Contudo, é no terreno investigativo da criação que a gravura transcende à sua função informativa primordial e conquista a dimensão histórica do pensamento artístico, vindo gradualmente legitimar-se como linguagem autônoma. Trabalhar a imagem a partir de uma matriz implica, hoje, considerar uma ampla possibilidade de recursos: das técnicas tradicionais, passando pela fotografia e vídeo até a tecnologia digital. Esta mostra aponta caminhos e proposições pelos quais a gravura e as novas mídias, em suas múltiplas formas e entrelaçamentos, vêm expandindo o seu campo de interesse no âmbito das poéticas contemporâneas. Artistas de três nacionalidades, Brasil, Canadá e Holanda, compõem o presente recorte, cuja produção surpreende pelo enredamento de contrapontos e afinidades. Seis importantes centros de pesquisa e de difusão da arte encontram-se aqui representados: o Engramme, de Quebec; a Vrije Academie e o AGA, da Holanda; o Atelier Piratiniga e o Espaço Coringa, de São Paulo; o Fotoativa, de Belém; ao lado do atelier da Fundação Curro Velho, responsável pelo restabelecimento e democratização do ensino da gravura na região – além das obras de Evandro Carlos Jardim e Regina Silveira, referências fundamentais da arte brasileira e responsáveis pela formação da influente escola paulista de gravura.

Certamente, a exposição proporcionará ao público uma visão aberta do diversificado quadro das tendências atuais e, quem sabe, possa fomentar discussões que levem a uma reflexão mais lúcida sobre da função da imagem nos dias de hoje. Por fim, o projeto “Gráfica Contemporânea” vem aprofundar o trabalho de consolidação da gravura iniciado há alguns anos na cidade, reivindicando para Belém o seu papel como centro promotor e irradiador dessa linguagem artística na região norte do país.

Armando Sobral

Curador

Agradecimentos Especiais

Nelson Carrasco

Renata Freire Carrasco

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